Cinco serigrafias originais de Di Cavalcanti
|
Leio bons livros UM POUCO DE LITERATURA Mia Couto (Moçambique) A multiplicação dos filhos Certa vez, Mulando sentiu vontade de ver os seus filhos. Como fossem muitos, decidiu dedicar todo o tempo que lhe restava em paternais visitas. Queria saber das outras vidas de sua vida. Como se, em final da existência, ele avaliasse a única eternidade que nos é certa: continuarmo-nos em nossos filhos. Começou pelo mais velho. O filho varão se admirou da visita. Alguma suspeita o fez ficar de coração atrás: porquê tão tardia visita? Mas ele esmerou em simpatia. Festejaram esse milagre de haver pai e filho, como flor que morre na imortalidade da semente. Beberam, comeram, entornaram as primeiras gotas no chão dos antepassados. O pai se hospedou por uns dias. Foi um tempo de transbordar a alma. Na despedida, o filho mais velho disse que havia uns tantos irmãos espalhados pelos lugares. E o pai seguiu a prestar visitas a seus outros descendentes. Aqui e além foi encontrando mais uns. Que revelaram outros. E outros apontaram mais outros. Até que Mulando descobriu que eram muitos, bem para além dos muitos que ele imaginava. Já cansado de tanta visitação, Mulando sentou-se a contemplar as linhas da palma da mão. Lhe pareceu ver que elas tinham mudado de desenho. Mulando se orgulhava de ter as linhas da mão em inacabado estado, sempre fugidias. Mas agora uma nova vaidade se sobrepunha: o ser tanto pai. Riu-se de suas façanhas. Já visitara mais de duas dúzias e ainda havia mais prole. Chegaria ao ponto de não ter tempo de terminar sua peregrinação? Contou as linhas das mãos e lembrou o desafio do seu tio materno perante as estrelas: contar, contar, contar até chegar a um ponto em que já não há número. E ele desistia como o dedo do tio desmaiando perante as tantas estrelas. Um longo braço da preguiça amoleceu a sua vontade de prosseguir. Havia um bar e ele passou por lá, passou por um copo, uma garrafa, uma neblina. A seu lado, uma mulher de ninguém escutou a sua missão. A moça, estranhamente, lhe perguntou: - Esses todos seus filhos: sabe o que é? - Gostava de saber. - É que, no fundo, todos, neste mundo, são nossos filhos. - Você também? E Mulando riu-se, cabeça tombada para trás, repetindo com ante-sabidas intenções: - Você também é minha filha? A prostituta sorriu-se, triste, faz conta estreasse o sentimento de ter um pai. Mulando olhou para as mãos, a ganhar fôlego e estendeu as pernas: - Então, minha filha, sente-se aqui no meu colo. Ela demorou a ajeitar-se no vivo assento. Ele cruzou os braços sobre ela, em subtil prisão. E lhe segredou que ela, por momentos, fizesse de conta que era outra. Uma mulher sem pecado, isenta de maus olhados. A prostituta o afastou com firmeza. Escapou do colo de Mulando e se encrispou toda, até quase perder a voz: - Crime é um pai não cuidar dos filhos. - Isso é verdade. Isso é um crime sem perdão. Ele dava o assunto na bandeja, sem demais. Mulher que não queria o seu colo deixava de existir. Além disso, o clima não estava para disputas. Mulando lançou o jornal para se resguardar da luz e encerrou-se para balanço. A manhã se adiantara, calor adentro, quando Mulando despertou. O bar estava deserto, da prostituta nem sobrara o perfume. Em redor, as formas ainda se acertavam, o nublado era um céu dentro da cabeça dele. E naquele esbotar de contornos ele sentiu alguém se postar diante. Se as vistas eram sombras, os sons pareciam bem mais nítidos. E a voz do outro lhe chegou, em bom recorte: - Venho lhe matar! Nem lhe veio discernimento para a devida resposta. Tentou focar o rosto do outro e notou que ele a si se semelhava. Um mais filho? Daquela idade? - Meu filho: eu vou seguindo, daqui vou para mais adiante. - Não sou seu filho! - Não é? Mas você me parece. Então você é o quê? - Sou seu pai. E ditas as três palavrinhas desfechou uma matraca sobre o outro. Uma, duas, quatro chambocadas. As suficientes, mortais. Mulando já não usava o pescoço. Insustentável, a cabeça lhe descaíra para trás, olhos escancarados perante o sol. Pela primeira vez, as linhas da mão de Mulando se moldaram em desenho fixo. O outro fez regressar a matraca em sua bolsa e falou nos seguintes termos para o chão: - Sou seu pai e você nunca me veio visitar. Dizem assim: o funeral de Mulando nunca se viu tristeza mais repleta. Nesse momento, o homem cumpria, de uma só vez, a promessa de visitar toda a sua descendência. Estavam lá os filhos todos, visitando-o na sua última mudança de residência. Em sua nova maneira de ver, Mulando acreditou presenciar no cemitério a inteira humanidade. Escrito por Gina... às 17h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] PABLO PICASSO RECEITA DE JOVIALIDADE "Deita fora todos os números não essenciais à tua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixa o médico preocupar-se com eles. É para isso que ele é pago. Frequenta, de preferência, amigos alegres. Os de "baixo astral" põem-te em baixo. Continua aprendendo... Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixes o teu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer. Curte coisas simples. Ri sempre, muito e alto. Ri até perder o fôlego. Lágrimas acontecem. Aguenta, sofre e segue emfrente. A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.Mantém-te vivo, enquanto vives! Rodeia-te daquilo de que gostas: família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. O teu lar é o teu refúgio. Aproveita a tua saúde; Se for boa, preserva-a. Se está instável, melhora-a. Se está abaixo desse nível,pede ajuda. Não faças viagens de remorso. Viaja para o Shopping, para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças viagens ao passado. Diz a quem amas, que realmente os amas,em todas as oportunidades. E lembra-te sempre de que: A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos em que perdeste o fôlego: de tanto rir... de surpresa... de êxtase... de felicidade..."Há pessoas que transformam o Sol numa simples mancha amarela, mas há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol" Pablo Picasso Encontrei esses escritos de Picasso numa lista de Literatura e Educação...Acho que vale a pena guardar esse pensamento. é lindo...!!! Eu adoraria fazer um sol de uma mancha amarela. Escrito por Gina... às 14h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] MACHADO DE ASSIS É engraçado´eu conhecer quase toda a obra de Machado de Assis e não ter dado importancia a suas poesias, até que encontrei esse "site de poesias e noticias". MUITO BOM... http://www.secrel.com.br/jpoesia/poesia.html Círculo vicioso Bailando no ar, gemia inquieto vagalume: "Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!" Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: "Pudesse eu copiar-te o transparente lume, Que, da grega coluna à gótica janela, Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela" Mas a lua, fitando o sol com azedume: "Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela Claridade imortal, que toda a luz resume"! Mas o sol, inclinando a rútila capela: Pesa-me esta brilhante auréola de nume... Enfara-me esta luz e desmedida umbela... Por que não nasci eu um simples vagalume?"... Machado de Assis Escrito por Gina... às 11h44 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Categoria: Link Escrito por Gina... às 01h47 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
||
![]() | ||